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Mostrando postagens de julho, 2017
                                                                                                                          Tem uma pedra no meu caminho;                                    Tem uma pedr  no meu caminho;                                         Tem uma ped   no meu caminho;                                             Tem uma pe    no meu caminho;   ...
                                                              Tem que ser eu                                                         Não tenho porque ter medo ou insegurança. Por que eu tenho? Onde anda a minha firmeza? Por que toda essa instabilidade em expressar os sentimentos mais bonitos? Tens medo do que os outros podem pensar? É isso? Conjeturas um possível julgamento, é isso? Ser covarde, pra ti não há espaço para amar! Não há! Resolva isso! Se resolva!  Precisas proteger muitas pessoas,  precisas lutar muitas lutas! Não podes ser irresponsável com isso tudo! Não vês que está sendo testado?! Não se esconda atrás de sua pureza! Não abuse do seu companheiro de solidão! O palhaço! ...
                                             Um navio e a Esquadra 1 Percorri indefiníveis caminhos dúbios Cegamente me derramei em correntezas impuras E desaguei em insalubres mares Feito piaba, miúda aos olhos de quem não vê À vista de pescadores inábeis e brutos Gigantes minúsculos de consciência Fui pescado e jogado pra morrer No balde de uma desgrenhada inconsciência 2 A minha ingenuidade me angariou algumas feridas, Intumesceram Ao ponto da minha solidão não ser mais minha Ao ponto do mais incomunicável e genuíno do meu Ser ser, Encarcerado num ergástulo imundo As chaves em minhas mãos, porém com o peso do mitológico martelo Só eu teria forças para erguê-las Mas não via chave nenhuma, tampouco que estava preso Não via grades, nem grilhões E escutava soluços, gritos esganiçados, gemidos desumanos Como que ouvidos de fora, Como que ouvidos jog...
Minha alma contente, tépida, nada fugaz, entrelaça a vida na eternidade de estar aqui em boa companhia e afetos favoráveis ao mais importante encorajamento de combate: minha força somada às tuas forças e às forças deles e às forças daqueles irão revolucionar o mundo.
Dilacerando os sonhos, o que fica? Que dor rígida é essa que investe no sofrimento, que desconstrói a esperança alheia? Como pode ignorar o grito dos excluídos e a fé na humanidade? Tais linhas de evolução que se distorcem... será que algum dia se encontram outra vez?

Arrancar o mal pela raiz

Vou tirar os pontos hoje. Desatar os nós. Oficialmente, perdi meu primeiro pré-molar. Dente número 24. Consequência de um período deprimente, quando não havia forças nem disposição para levantar da cama e esfregar as cerdas da escova no sorriso desanimado. Resultado de uma apatia angustiante, abraçada por uma alimentação desregrada, insuficiente - falta cálcio, zinco, ferro, manganês, falto eu. O que restou foi um sorriso esfacelado. O exterior refletindo o interior. Agora me sobra restaurar o colar de pérolas de marfim oral e toda sua preciosidade. Buscar a reconstrução de mim, a reconstrução em mim. Logo esbanjarei-o aos quatro ventos do mundo.
Percorreram a estrada como quem acaba de receber alforria após anos de sofrido aprisionamento. Já estavam distantes dos velhos móveis, dos colchões sujos e finos feito folha de papel, dos ácaros e ácaros a inundar-lhes a respiração todas as noites. Cabiam agora na imensidão azul celestial e em todas as direções apontadas pela rosa dos ventos. Para onde ir pouco importava - naquela hora apenas valiam os risos, as brincadeiras, abrir os braços e sentir o vento cantarolar. - Giulli, Giulli! - chamou o mais velho, ofegante. - Estamos livres, não estamos? Giulli parou os passos. As sobrancelhas franziram-se, os girassóis estavam sérios de repente. - Sendo honesto, eu não sei - respondeu. - Mas, se a liberdade for melhor do que isto, então certamente tudo o que vier a nós será lucro quando formos verdadeiramente livres. - Virou-se para os lados. - Onde está o pequeno Aldo? Thomazzo riu, a diástema evidente. Apontou para o bosque ao longo da estrada. Aldo pendurara-se na copa frondosa...
O céu ainda adormecido não dava indícios de clarear-se. Os olhos, dois girassóis, piscaram duas, três vezes, de encontro com o passear das nuvens: as duas bailarinas de algodão roubaram-lhe a atenção das íris, para depois se desfazerem e continuarem os rodopios em outro lugar. Nem bem vivera tantas décadas assim, mas a solidão já compreendia. Do lado, entregue ao senhor dos sonhos, percebia o respirar agitado do amigo, quem sabe mergulhado nos pesadelos que o acompanhavam desde sempre - porém, talvez fosse aquela uma hora de rendição e, quem sabe, as bailarinas de algodão enovelavam suavemente o corpo do pequeno rapaz. Os girassóis ainda atentos procuraram a claridade. Inútil busca. Sabia que não devia passar das três da madrugada. Aqueceu-se com as mãos deslizando os braços. Apesar de toda a parafernália reunida para espantar o frio, os membros tremiam em harmonia com o tintilar dos dentes. Esta era sua vida, pois. Não havia muito a fazer. Bocejos seguidos foram sua consolação....
Eu não posso viver a vida com medo nem ditar minhas ações para corresponder às projeções do que os outros esperam que eu seja. Aliás, inclusive, encarar que muito desse ciclo reside só em mim que arquiteto os pensamentos alheios simplesmente pelo vício de não querer assumir a própria responsabilidade diante de si como ser dono da coisa toda. E nem dono de nada se pode ser, porque até me controlar exteriormente muitas vezes vai além do que mantenho em direções apontadas por mim mesma. Isso por vezes me é muito sufocante, por isso eu compreendo tanto e tenho tanta empatia por certas pessoas. Mas eu também não posso ficar presa à armadilha de acreditar que isso sou eu. Não sou! Não sou! NÃO SOU ISSO! Tenho bem mais poder criativo e proativo que as memórias padronizadas de ciclos despedaçados. Não posso empurrar goela abaixo as minhas verdades, mas, pelos céus, como não se enxergar o que é óbvio e claro? Como não forçar a vida, mas também não deixá-la escorrer? Não quero ser efêmera....
                                      Eu e meu cavalo a caminho de casa² Não pretendo começar esta poesia com beleza, antes, com a grosseira e delicada, inexorável, crueza da vida. Mas sem muita garantia, é bem capaz, não duvido, que eu deslize numa inefável fantasia....: Do relincho estridente do meu fiel e senil cavalo O forte rugido do seu peito metálico Galopamos imprudentemente Sobre um fulgor intenso Na verdade, é como uma substância que nos envolve mais o vento Um mergulho profundo Abissal sentimento Eclodindo veemente Neste momento                                                                                                   ...
Ninguém nunca me disse que seria fácil encarar a vida - a vida real, onde há responsabilidades, onde há consequências, onde há amadurecimento, aprendizados, lições de resignação e, principalmente, empatia. Ainda há uma barreira de orgulho que não sei como atravessar - ainda, mas ainda um dia acaba. Não sei como reconstruir essas pontes - na verdade, eu talvez até saiba, mas não encontrei forças o suficiente para dar outros passos além dos primeiros. Eu ainda percebo o medo e a mágoa se confundirem e até me distanciar para encontrar o ponto exato de reconfiguração de estar presente, estar ciente, estar atenta o tempo todo, eu fico na calçada, esperando que todos os carros passem e nisso a travessia se delonga - será que eu ainda tenho tempo? Eu busco uma perfeição que me cabe porque sei que é importante mudar e melhorar, para mim e para os outros. Mas muitas vezes eu não ajo o suficiente. Eu te compreendo e dou razão, eu não posso me vestir de arrogância e acreditar que minhas convicçõe...
Uma vez me contaram que as estrelas são as lágrimas dos anjos... O céu estrelado é o soluçar do divino para consolar o coração de quem compreende que, não importa quanto tempo passe, eles nunca deixam de estar lá e cumprir seu papel - mesmo que isso gere um oceano infinito de sentimentos transbordados...
À sua acolhedora sabedoria No caminho de volta vou digerindo bem de vagarinho a dimensão entre suas generosas palavras Sentindo, sutilmente, o trâmite da minha maturidade Uma fresca e microscópica verdura, emergindo à minha consciência Doce clareza que me preenche de peito e alma.
                 Um mergulho na pesada leveza Da ainda fria manhã A vida corria sonolenta através do aparente silêncio das ruas As casas ainda dormiam Distantes No regaço dos seus sonhos Eu caminhava nu e sentindo o bruto atrito da calçada com meus pés Sentia o suave afago do vento brincando de ser vento Tão pueril a sua ligeira e paciente correria Sentia a sutil sensação de estar, de estar vivo Um estranhamento que se estranha, Que se perde até ser procurado dentro de si, Naquele momento não sabia disso Vagueei os olhos e com eles não enxerguei o que sentia Via apenas uma rua vazia de gente e entupida de concreto, grades, asfalto, lixo Não compreendi Bom dia! Eu disse a um mendigo dormindo no canto da calçada do outro lado da rua Que havia ignorado até agora Me senti mal por ter dito o tal irresponsável "Bom dia" Me senti indigno Ele dormia um sono pesado de um vida cansada e torta Reparei mais um pouco nele e vi...
                   A polpa do Vento A folhinha vadiando sob o zelo macio do vento O seu viço, minha alegria! Gotículas de Sol se chocam e esculpem A cor sua da fertilidade Com toda Graça e Sublimeza Enquanto, Toco a minha vibrante alma por todo pedaço de Existência que, Atravessa o barulhento silêncio da minha Eu rujo com mudez Meu corpo se tenciona todo Minha pele se eriça E a face se encrispa Toda a minha alma dilatada Toda a minha vida toda ali Toda a minha vida toda aqui Enquanto confio esse Doce e Inefável segredo Com todos os Seres Com todas as Coisas Com todo o...... Universo! É isso. Eu, ínfimo, mas Infinito Quer dizer, Nós, Imensuravelmente Imensuráveis... Não. Não há Não, Distinção Afonso Teixeira