Um navio e a Esquadra
1
Percorri indefiníveis caminhos dúbios
Cegamente me derramei em correntezas impuras
E desaguei em insalubres mares
Feito piaba, miúda aos olhos de quem não vê
À vista de pescadores inábeis e brutos
Gigantes minúsculos de consciência
Fui pescado e jogado pra morrer
No balde de uma desgrenhada inconsciência
2
A minha ingenuidade me angariou algumas feridas,
Intumesceram
Ao ponto da minha solidão não ser mais minha
Ao ponto do mais incomunicável e genuíno do meu Ser
ser,
Encarcerado num ergástulo imundo
As chaves em minhas mãos, porém com o peso do mitológico martelo
Só eu teria forças para erguê-las
Mas não via chave nenhuma, tampouco que estava preso
Não via grades, nem grilhões
E escutava soluços, gritos esganiçados, gemidos desumanos
Como que ouvidos de fora,
Como que ouvidos jogados em meio ao vácuo, retumbavam em minha toda matéria escura,
Me incomodavam muito mais do que eu consideraria aguentar um dia
Não sabia de que direção vinham
Pareciam, como me lembro, pois parece fazer bastante tempo,
Vindos de toda direção
Era como se eu não sentisse nada
Mesmo assim doía, era uma dor que afogava a minha alma e afogava e afogava, não se morria
Era sempre aquela insuportável repetição
3
Como se eu tivesse dentro, enterrado mesmo, num buraco, num fosso abissal, beirando o centro da terra, na verdade, não poderia ser, estava muito frio, tanto quanto a quintura de uma supernova.
Constatei.
Estava no fundo do oceano e a pesada pressão me mantinha a espera...
Escutei, um eco quase apagado dum grito de luz teleguiado ao meu peito.
Se você seguisse a trajetória dele e comparasse com o de outros ecos,
Veria que ele superou as barreiras da física, não havia resistência que ele não perfurasse.
Algo se aproxima, e não é pequeno.
Não havia pressão que o esmagasse, era um intrépido submarino ao meu resgate!
Ele dilatou todo o espaço e apagou toda a escuridão com a sua inextinguível luz que não ofuscava a minha visão, mesmo acostumada ao negro turvo,
Agora, a palo seco, livre de qualquer barulho que atropele o seu rico e belo silêncio, meus olhos alcançaram aquele peito que sorria em minha direção e, sem perceber, já estava dentro
Veja, podes pensar que me iludo com os últimos versos, não pense demais! Não é paixão que sinto, mas compreendo, também tendi ao engano..
Eu não falo de qualquer coisa tão humana, quer dizer, falo, mas ao mesmo tempo é algo tão além que só chega a incansáveis olhos, aqueles que conseguem ver exatamente onde se deita o infinito, e ainda por cima!,-- Ha!--, acalanta o sono dele que, dormindo, sorri com seus lábios pequeninos e frescos como de criança, ou como uma plantinha que acaba de curiá a vida pela primeira vez!
4
Era uma façanha do Destino que, como aprendi com o meu novo companheiro e guia, com sua infinita ternura, teceu ignorando a miragem dos muros mortos de um labirinto inseguro,... frustrado o pobre labirinto saiu com o rabo entre as pernas, estava muito mal acostumado com o seu mimo, não obstante, me mantive atento, o sujeito é covarde e traiçoeiro, o seu olhar sinuoso em meio ao seu dispare em fuga não me escapou.
Então!
Ele, Grandioso e Generoso em sua infinita afeição por tudo que existe,
teceu minha vida ao encontro de onde estou agora.
Fui resgatado em meio a destroços naufragados,
com o casco emborcado e a maresia me corroendo
Tenho ciência que insolentes curvas convulsas ainda me retardam,
engodos de vícios ao longo do meu fio, ainda há muita insegurança...
Agora, Agudo, faço dele lâmina que perfura toda e qualquer abstração,
E que como egíde imaculável,--- ainda ando aprendendo o seu pesado manuseio--
Grave, irei pesar sobre qualquer vício que tencione me afagar de atropelo!
Não venham com seus ímpetos!
Não fui resgatado em meio a destroços naufragados, com o casco emborcado e a maresia me corroendo atoa!
Venham! Venham!
Já viram uma jangada improvisada atropelar um Navio?
Não ando mais sou.
Ouço chamado! A Esquadra me chama, há trabalho!
Ainda me falta habilidade para descrever todo o peso dessa inaudita viagem que ora me encaminho
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Percorri indefiníveis caminhos dúbios
Cegamente me derramei em correntezas impuras
E desaguei em insalubres mares
Feito piaba, miúda aos olhos de quem não vê
À vista de pescadores inábeis e brutos
Gigantes minúsculos de consciência
Fui pescado e jogado pra morrer
No balde de uma desgrenhada inconsciência
2
A minha ingenuidade me angariou algumas feridas,
Intumesceram
Ao ponto da minha solidão não ser mais minha
Ao ponto do mais incomunicável e genuíno do meu Ser
ser,
Encarcerado num ergástulo imundo
As chaves em minhas mãos, porém com o peso do mitológico martelo
Só eu teria forças para erguê-las
Mas não via chave nenhuma, tampouco que estava preso
Não via grades, nem grilhões
E escutava soluços, gritos esganiçados, gemidos desumanos
Como que ouvidos de fora,
Como que ouvidos jogados em meio ao vácuo, retumbavam em minha toda matéria escura,
Me incomodavam muito mais do que eu consideraria aguentar um dia
Não sabia de que direção vinham
Pareciam, como me lembro, pois parece fazer bastante tempo,
Vindos de toda direção
Era como se eu não sentisse nada
Mesmo assim doía, era uma dor que afogava a minha alma e afogava e afogava, não se morria
Era sempre aquela insuportável repetição
3
Como se eu tivesse dentro, enterrado mesmo, num buraco, num fosso abissal, beirando o centro da terra, na verdade, não poderia ser, estava muito frio, tanto quanto a quintura de uma supernova.
Constatei.
Estava no fundo do oceano e a pesada pressão me mantinha a espera...
Escutei, um eco quase apagado dum grito de luz teleguiado ao meu peito.
Se você seguisse a trajetória dele e comparasse com o de outros ecos,
Veria que ele superou as barreiras da física, não havia resistência que ele não perfurasse.
Algo se aproxima, e não é pequeno.
Não havia pressão que o esmagasse, era um intrépido submarino ao meu resgate!
Ele dilatou todo o espaço e apagou toda a escuridão com a sua inextinguível luz que não ofuscava a minha visão, mesmo acostumada ao negro turvo,
Agora, a palo seco, livre de qualquer barulho que atropele o seu rico e belo silêncio, meus olhos alcançaram aquele peito que sorria em minha direção e, sem perceber, já estava dentro
Veja, podes pensar que me iludo com os últimos versos, não pense demais! Não é paixão que sinto, mas compreendo, também tendi ao engano..
Eu não falo de qualquer coisa tão humana, quer dizer, falo, mas ao mesmo tempo é algo tão além que só chega a incansáveis olhos, aqueles que conseguem ver exatamente onde se deita o infinito, e ainda por cima!,-- Ha!--, acalanta o sono dele que, dormindo, sorri com seus lábios pequeninos e frescos como de criança, ou como uma plantinha que acaba de curiá a vida pela primeira vez!
4
Era uma façanha do Destino que, como aprendi com o meu novo companheiro e guia, com sua infinita ternura, teceu ignorando a miragem dos muros mortos de um labirinto inseguro,... frustrado o pobre labirinto saiu com o rabo entre as pernas, estava muito mal acostumado com o seu mimo, não obstante, me mantive atento, o sujeito é covarde e traiçoeiro, o seu olhar sinuoso em meio ao seu dispare em fuga não me escapou.
Então!
Ele, Grandioso e Generoso em sua infinita afeição por tudo que existe,
teceu minha vida ao encontro de onde estou agora.
Fui resgatado em meio a destroços naufragados,
com o casco emborcado e a maresia me corroendo
Tenho ciência que insolentes curvas convulsas ainda me retardam,
engodos de vícios ao longo do meu fio, ainda há muita insegurança...
Agora, Agudo, faço dele lâmina que perfura toda e qualquer abstração,
E que como egíde imaculável,--- ainda ando aprendendo o seu pesado manuseio--
Grave, irei pesar sobre qualquer vício que tencione me afagar de atropelo!
Não venham com seus ímpetos!
Não fui resgatado em meio a destroços naufragados, com o casco emborcado e a maresia me corroendo atoa!
Venham! Venham!
Já viram uma jangada improvisada atropelar um Navio?
Não ando mais sou.
Ouço chamado! A Esquadra me chama, há trabalho!
Ainda me falta habilidade para descrever todo o peso dessa inaudita viagem que ora me encaminho
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