As ruas respiravam o ar frio daquele período invernoso. As cadeias de montanhas que assentavam o rio, outrora de águas caudalosas, agora limitavam um leito quase inexistente, de tímida fluidez, quase implorando o existir. A coleção de cogumelos ao longo da estrada, imóvel, parecia observar as botas carrancudas que arrastavam os pés mal aquecidos ilha afora. O cabelo liso escorregava os dedos encaixados na luva envelhecida da mão direita, fazia curva ao alcance do pescoço, deixando as articulações soltarem-se desapontadamente ao encarar o destino inóspito daquele indivíduo cambaleante. Beijaram-se com a certeza do adeus definitivo. Três meses de vida a ansiar o rosto que os braços nunca iriam embalar, sentia o peito apertar, sabia que não voltaria àqueles olhos neblinantes, àquele sonho de ninar a criança ainda protegida no ventre da mulher amada. "A guerra não é lugar de onde se volta com vida", dissera-lhe o velho Pietro. "Morre algo, sempre morre algo de nós ...
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